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Por que construímos o RSABOX dentro de um escritório de advocacia

Software jurídico tradicional foi feito por engenheiro que nunca operou escritório. RSABOX nasceu do contrário: escritório que precisava de ferramenta e construiu a sua.

Leonardo Ribeiro

Advogado, OAB/SC · Ribeiro Sociedade de Advogados

Por que construímos o RSABOX dentro de um escritório de advocacia

Existe uma diferença entre software jurídico feito por empresa de tecnologia e software jurídico feito por advogado que opera escritório todo dia.

A diferença não é de interface. É de entendimento do problema.


O problema com as ferramentas que existem

Em 2023, a Ribeiro Sociedade de Advogados usava Advbox para processos e WhatsApp para atendimento. Como a maioria dos escritórios médios brasileiros.

O resultado prático: cliente mandava mensagem no WhatsApp e alguém lembrava de responder quando sobrava tempo. Não havia integração. O sistema jurídico não sabia que o cliente tinha mandado mensagem. O WhatsApp não sabia o número do processo. Eram dois mundos separados com o advogado no meio, copiando informação de um pro outro.

Testei alternativas. Zapier conectando WhatsApp com planilha com Advbox. Chatbot externo que não sabia nada do processo do cliente. Astrea, que tem interface melhor, mas o mesmo problema de silos. Plugins de IA que as ferramentas começaram a lançar em 2023-2024 — que basicamente adicionam um botão "gerar texto com IA" sem mudar nada no fluxo.

Nenhum resolvia o problema central: o cliente quer resposta no WhatsApp sobre o processo dele, e nenhuma ferramenta colocava os dois juntos de verdade.


A decisão de construir

A primeira versão do que virou o RSABOX foi um sistema interno sem nome. Construído com Lovable e Supabase, sem pretensão de produto, só pra uso interno da RSA.

A ideia era simples: WhatsApp no centro, processo ao lado, uma IA que soubesse as duas coisas antes de responder.

A Sofia — nome que o sistema ganhou — foi configurada em cima do Claude Haiku da Anthropic. Não porque Haiku seja o modelo mais capaz, mas porque é rápido o suficiente pra atendimento em tempo real e barato o suficiente pra rodar em escala sem custo proibitivo.

O primeiro insight real veio alguns meses depois: a IA funcionava, mas errava. Às vezes saía do tom, às vezes dava uma resposta que o advogado não daria. O problema não era o modelo — era a falta de supervisão.

Construímos o Watchdog: um conjunto de 8 regras que rodam em cima de cada ação da Sofia. Quando algo sai do esperado, o advogado responsável recebe aviso no WhatsApp em menos de 2 minutos. Não é automação cega — é automação com humano no circuito.

Esse detalhe é o que mais diferencia o RSABOX de qualquer produto que "agora tem IA": a IA tem um chefe, e o chefe é o advogado.


A validação que não estava no plano

Em 2026, a RSA assumiu uma operação de recuperação de crédito judicial em massa pra um cliente externo. A carteira tinha volume incompatível com modelo tradicional de cobrança: centenas de devedores ativos, cada um exigindo abordagem, negociação, documentação e cobrança recorrente.

Fazer manualmente seria inviável sem contratar uma equipe dedicada. Terceirizar pra empresa de cobrança significaria perder controle do processo e pagar comissão alta.

Construímos um módulo específico no RSABOX — o que hoje se chama Painel de Execuções. A Atendente IA foi configurada com tools específicas de cobrança judicial: abordagem por WhatsApp via HSM Meta, proposta de acordo dentro de faixas autorizadas pelo advogado, geração de contrato via ZapSign, cobrança de parcela via Asaas e repasse e prestação de contas automatizada pro cliente cedente.

Nenhuma mensagem ao devedor é enviada manualmente. O advogado define os limites. A IA executa dentro deles. O Watchdog supervisiona.

Essa operação foi a prova de que o sistema funciona além do escritório que o criou. Cada requisito do módulo (HSM Meta obrigatório, audit log append-only, repasse pós-confirmação) veio de problema real observado nessa operação — não de hipótese de produto.

Isso foi o que nos convenceu a empacotar o RSABOX como produto pra outros escritórios.


Por que isso importa pra quem vai usar

Software jurídico feito por quem nunca operou escritório resolve os problemas que o desenvolvedor imagina que existem.

O RSABOX resolve os problemas que a RSA tinha de verdade: cliente sem resposta no WhatsApp, processo desconectado do atendimento, IA sem supervisão, cobrança judicial feita no braço.

Isso não significa que o produto é perfeito. Significa que cada decisão de arquitetura foi tomada por alguém que sente a consequência quando dá errado.

A Sofia não atende o escritório do Léo num ambiente de demonstração — atende de verdade, com clientes reais, todo dia. O Watchdog não é feature de marketing — é o que avisa quando a IA fez algo que eu não autorizaria.

Essa é a diferença entre produto construído de fora e produto construído de dentro.


Leonardo Ribeiro é advogado, OAB/SC, sócio da Ribeiro Sociedade de Advogados em Blumenau/SC e criador do RSABOX.

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